quinta-feira, 9 de setembro de 2010

População capixaba sofre com enfarrafamentos na Terceira Ponte


Todos os dias a população sofre com os engarrafamentos nos horários de pico da Terceira Ponte. Carros parados, ônibus cheios e passageiros indignados são consequências do trânsito intenso da ponte. Quando ela foi idealizada, não se contava com o crescimento urbano e populacional das cidades. Ir de Vitória à Vila Velha ou vice-versa é difícil para a maioria dos usuários.


Segundo Ingrid Gonçalves, estudante de jornalismo, o motivo dos congestionamentos na Terceira Ponte é o fato de só existir duas pistas para acomodar uma demanda grande de carros. “Eu chego atrasada no estágio e na faculdade todos os dias. Tudo por conta do engarrafamento”, comenta.

Para a estagiária Thaíssa Dilly, uma alternativa para acabar com o trânsito intenso nos horários de pico da Terceira Ponte seria a implantação de rotas marítimas que ligassem Vila Velha à Vitória. “Podia existir embarcações que pudessem levar os carros de um lado para o outro, o que diminuiria bastante o congestionamento”, diz.

Hoje, Vitória passa por inúmeras reformas para minimizar os impactos do crescimento urbano . Ruas e avenidas são alargadas para garantir a boa fluidez de veículos. Mas o mesmo não é feito em Vila Velha. A cidade canela-verde ainda sofre com a falta de estrutura nas vias.

Duas das alternativas mais comentadas  e defendidas pelos administradores públicos nos últimos tempo são a reabertura do aquaviário e a construção de um metrô de superfície. Porém, os anos passam e a população não vê as propostas saírem do papel.

Saiba mais sobre o aquáviário

Conheça o projeto do metrô de superfície

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Vira Vitória promove 35 horas de atividades culturais

O aniversário de 459 anos de Vitória contará com programação cultural extensa. O evento Vira Vitória , idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura, promove peças teatrais, circo, dança e shows musicais por diversas partes da cidade. O Vira Vitória terá 35 horas de atividades culturais entre os dias 7 e 8 de setembro.

Os destaques do evento são os artistas Martinho da Vila e Elba Ramalho. Os músicos se apresentarão no palco principal, que será montado na orla de Camburi.

O início oficial do aniversário de Vitória está marcado para às 21 horas de sábado (5) na Praia de Camburi. Os moradores de Vitória e cidades vizinhas vão prestigiar o Baile-show com o Vitória Café Orquestra.

A quarta-feira (8), dia do aniversário de Vitória, contará com o show de Elaine Rowena. Além disso, haverá uma programação especial para as crianças.

As vias de acesso à orla de Camburi serão interditadas para garantir a segurança dos participantes.

Veja a programação completa do aniversário de Vitória


Vira Vitória


Trânsito interditado em Camburi

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O poeta e o coração

Por Carlos Pereira

Ser poeta é ser diferente. Escrever coisas inteligentes, deixar as idéias transparecerem, encantar sem cantar. Mas o que ninguém sabe é que a maioria dos poetas vive infeliz. Disse o padre da paróquia: “Um poeta bom empresta as mãos para o coração escrever”. Viu? Pura manipulação.

Manipular, articular, contextualizar, sensibilizar e alguns outros verbos infinitivos terminados em ar convêm agora para defender a tese de que na época do “Mal do Século” poetas morreram e embriagaram-se aos montes pelas tabernas da vida. Tudo por causa da manipulação feita pelo coração.

Moças lindas, sorrisos magníficos acompanhados de dentes brancos como glacê de um bolo suculento. Tantos predicados fascinavam os mais criativos escritores. E estes caiam de amores, antes mesmo, de consumar o ato. Satisfação a curto prazo e sofrimento a longo.

Não é difícil encontrar por aí pessoas apaixonadas. Declaradas ou não, mas tomadas pelo “fogo” da paixão. Há cerca de um mês alguém quis pular da Terceira Ponte, como outras tantas vezes outros também tentaram. Provavelmente, o motivo foi sentimento não correspondido.

Agora imagine um poeta: criativo, sensível e dominante da escrita. Pelo menos antes de pular da ponte iria escrever coisas lindas e, obviamente, contribuir para o bem da literatura. O “Mal do Século” passou. Sim. Evidente.

Hoje, ninguém precisa morrer para ser ouvido e conhecido. Basta expor o sentimento e mostrar. Vale reforçar o dizer do padre: “Um poeta bom empresta as mãos para o coração escrever”. Quando o assunto é coração, um bom poeta sabe o que escrever, mas falha ao viver o que lhe inspira.

Adelaide

Por Carlos Pereira

Naquela tarde de outono Adelaide estava distinta. Cabelos ao vento, vestido branco e sorriso envolvente. Características incomuns para quem acabara de perder o marido. Seu Zé, pobre Seu Zé, que morreu de um ataque cardíaco fulminante. Pelo menos veio a óbito em seu lugar preferido: o bar. Adelaide preferira a alegria ao luto. Escolha cabível para continuar feliz.

A viúva aprendeu a encarar as dificuldades da vida de cabeça erguida desde criança. Sendo assim, não havia motivos para ela se emudecer e andar com roupas de vínculo sombrio. Sábia Adelaide. Fez de um momento ruim a chance de respirar novos ares. E respirava. A senhora de 45 anos cativava a todos, pelo menos quase todos, por onde passara.

Seu Zé morreu, mas deixou, junto à esposa, a pequena Marina, de apenas seis anos, para Dona Adelaide criar. Este que é mais um motivo para a viúva não mostrar tristeza e fraqueza com a morte do marido. A menina parecia muito com Adelaide. Olhos azuis e pele clara eram atrativos dos quais Seu Zé se orgulhava, mas que só aproveitara até os 47 anos.

Alguns moradores de Mangue Seco, bairro bucólico de Velha Vila, estranharam tal atitude. Muitos formulavam as mesmas perguntas: “Como uma mulher que acabou de perder o marido pode andar assim na rua? O sentimento de indignação tomava a maioria dos corações. Mas Dona Adelaide não estava nem aí. E esbaldava sorriso e simpatia pelo bairro.

Maria João, a proprietária do bar que Seu Zé adorava, conhecia bem a viúva, pois todas as noites ela ia ao boteco buscar o marido que, por sinal, sempre ficara bêbado. Ela aceitou a atitude de Adelaide. A botequeira achava magnífico uma pessoa recém-viúva se comportar daquela maneira. Afinal, ela sabia o quanto aquela mulher amara o marido.

A distinta viúva não devia nada a ninguém, fez o que quis, do jeito que quis e na hora que achou melhor. Com esse pensamento, a memória de Seu Zé ficara sempre viva. Ele era um homem alegre e apaixonado pela família. O fato de Adelaide não se render ao praxe de roupas pretas e comportamento tristonho com a morte de Zé causou estranheza na vizinhança. Mas Dona Adelaide sabia que um sorriso valia mais do que uma lágrima. E, assim, sorriu e sorri até hoje.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sujeito indeterminado

Por Carlos Pereira

Sinto saudade de minha terra. Lá, as incertezas imperam, o nada se torna tudo e tudo se torna nada. Nunca há algo igual. Se hoje é assim, amanhã não será. Ah, que saudade de deixar acontecer, de arriscar...

Hoje saí de casa da mesma forma com a qual saí ontem, previsível. Sabia o que fazer, como fazer, quem ver, o que sentir... É desse jeito todo dia desde que fui embora de minha terra. Abandonei a adrenalina da instabilidade para morar lado a lado com a estabilidade.

Arrependo-me tanto, porém... Ah, não há de convir um porém agora. Sinto falta mesmo. Fechei os olhos e aceitei uma situação real que corresponde à irrealidade do meu ser. Quero fugir daqui, voltar para lá, sentir novamente a sensação de nunca mais planejar.

Certa vez, sim, certa vez, disse a seguinte frase a alguém: “Só quem lucra com a dúvida é a interrogação”. Refleti por instantes e pensei: “Não, não é bem assim”. A dúvida é o que nos separa do êxito e da falha. Evidente, porém, é, o porém cai bem agora, às vezes é melhor esquecer a dúvida e tentar a sorte.

Sim, quero voltar para minha terra. Chega de previsibilidade. Quero minha identidade de volta, pois aqui sou um mero sujeito indeterminado.

Entre um ponteiro e outro


Por Carlos Pereira

Um segundo, um minuto, uma hora.
O tempo não é algo imaginável.
Quanto mais se espera dele, mais contradições aparecem.
Mas como evitar expectativas?
Não há como.
Muito se quer e pouco se tem, pouco se ganha.

Tic Tac. A cada som uma esperança.
Tic Tac. A cada badalo um sonho.
O tempo não é seu amigo.
Ele te engana.
Destrói vidas, corações.

Entre um ponteiro e outro tudo pode ser.
Entre um ponteiro e outro tudo pode estar.
Ou acabado, ou nem iniciado.
Tentar controlar o tempo?
É possível, porém impossível.

Ele é dono do mundo.
As coisas giram em torno dele.
O que é de cada um está guardado.
Às vezes nem isso
Mas o tempo avisa.

Tic tac. A cada segundo uma história
Tic tac. A cada história um pesadelo.
O tempo está bem perto, pode ser visto.
Porém é incontrolável.
O esperado torna-se surpresa facilmente.

Entre um ponteiro e outro tudo pode ser
Entre um ponteiro e outro tudo pode estar.
O tempo?
Ah, o tempo.
Só sendo Cronos para entender.

Quando a razão dá voz ao coração

Por Carlos Pereira

Três horas da manhã. Ouço sussurros. Estou deitado na cama. Mantenho as pálpebras fechadas com receio de encontrar algo ruim. O coração bate mais forte por não saber o que posso ver ao abrir os olhos. Pronto! As pernas tremem. O que há de ser?

Os sussurros começam a se transformar. Acho que posso entender agora. Ainda não abri os olhos. “Quem não ama não é amado”. Esse é o som que chega ao meu ouvido. A voz é firme. A perna esquerda começa a formigar. Sempre acontece isso quando concordo com alguma coisa.

Já passaram dez minutos. Tomei coragem. Vou abrir os olhos. Primeiro o esquerdo. Nada vejo. Agora o direito. Nada ainda. Sinto as pernas bambas. Aliás, o formigamento, neste instante, é nas duas pernas. Vou levantar. Está tudo escuro. Que a luz seja cúmplice de meus olhos e esclarecedora do desconhecido.

Levantei da cama, apertei o interruptor e a lâmpada do meu quarto se acendeu. Ué! De onde veio aquela voz? Aqui nada existe além de mim. Acho que tudo é fruto de minha imaginação. Mas nunca aconteceu isso comigo. Estarei maluco? Não. Parece que é a razão dando voz ao coração. E é.