Por Carlos Pereira
Sinto saudade de minha terra. Lá, as incertezas imperam, o nada se torna tudo e tudo se torna nada. Nunca há algo igual. Se hoje é assim, amanhã não será. Ah, que saudade de deixar acontecer, de arriscar...
Hoje saí de casa da mesma forma com a qual saí ontem, previsível. Sabia o que fazer, como fazer, quem ver, o que sentir... É desse jeito todo dia desde que fui embora de minha terra. Abandonei a adrenalina da instabilidade para morar lado a lado com a estabilidade.
Arrependo-me tanto, porém... Ah, não há de convir um porém agora. Sinto falta mesmo. Fechei os olhos e aceitei uma situação real que corresponde à irrealidade do meu ser. Quero fugir daqui, voltar para lá, sentir novamente a sensação de nunca mais planejar.
Certa vez, sim, certa vez, disse a seguinte frase a alguém: “Só quem lucra com a dúvida é a interrogação”. Refleti por instantes e pensei: “Não, não é bem assim”. A dúvida é o que nos separa do êxito e da falha. Evidente, porém, é, o porém cai bem agora, às vezes é melhor esquecer a dúvida e tentar a sorte.
Sim, quero voltar para minha terra. Chega de previsibilidade. Quero minha identidade de volta, pois aqui sou um mero sujeito indeterminado.

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