Por Carlos Pereira
Três horas da manhã. Ouço sussurros. Estou deitado na cama. Mantenho as pálpebras fechadas com receio de encontrar algo ruim. O coração bate mais forte por não saber o que posso ver ao abrir os olhos. Pronto! As pernas tremem. O que há de ser?
Os sussurros começam a se transformar. Acho que posso entender agora. Ainda não abri os olhos. “Quem não ama não é amado”. Esse é o som que chega ao meu ouvido. A voz é firme. A perna esquerda começa a formigar. Sempre acontece isso quando concordo com alguma coisa.
Já passaram dez minutos. Tomei coragem. Vou abrir os olhos. Primeiro o esquerdo. Nada vejo. Agora o direito. Nada ainda. Sinto as pernas bambas. Aliás, o formigamento, neste instante, é nas duas pernas. Vou levantar. Está tudo escuro. Que a luz seja cúmplice de meus olhos e esclarecedora do desconhecido.
Levantei da cama, apertei o interruptor e a lâmpada do meu quarto se acendeu. Ué! De onde veio aquela voz? Aqui nada existe além de mim. Acho que tudo é fruto de minha imaginação. Mas nunca aconteceu isso comigo. Estarei maluco? Não. Parece que é a razão dando voz ao coração. E é.
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