terça-feira, 24 de agosto de 2010

O poeta e o coração

Por Carlos Pereira

Ser poeta é ser diferente. Escrever coisas inteligentes, deixar as idéias transparecerem, encantar sem cantar. Mas o que ninguém sabe é que a maioria dos poetas vive infeliz. Disse o padre da paróquia: “Um poeta bom empresta as mãos para o coração escrever”. Viu? Pura manipulação.

Manipular, articular, contextualizar, sensibilizar e alguns outros verbos infinitivos terminados em ar convêm agora para defender a tese de que na época do “Mal do Século” poetas morreram e embriagaram-se aos montes pelas tabernas da vida. Tudo por causa da manipulação feita pelo coração.

Moças lindas, sorrisos magníficos acompanhados de dentes brancos como glacê de um bolo suculento. Tantos predicados fascinavam os mais criativos escritores. E estes caiam de amores, antes mesmo, de consumar o ato. Satisfação a curto prazo e sofrimento a longo.

Não é difícil encontrar por aí pessoas apaixonadas. Declaradas ou não, mas tomadas pelo “fogo” da paixão. Há cerca de um mês alguém quis pular da Terceira Ponte, como outras tantas vezes outros também tentaram. Provavelmente, o motivo foi sentimento não correspondido.

Agora imagine um poeta: criativo, sensível e dominante da escrita. Pelo menos antes de pular da ponte iria escrever coisas lindas e, obviamente, contribuir para o bem da literatura. O “Mal do Século” passou. Sim. Evidente.

Hoje, ninguém precisa morrer para ser ouvido e conhecido. Basta expor o sentimento e mostrar. Vale reforçar o dizer do padre: “Um poeta bom empresta as mãos para o coração escrever”. Quando o assunto é coração, um bom poeta sabe o que escrever, mas falha ao viver o que lhe inspira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário